“… vê a coisa toda como um mundo cheio de andarilhos de mochilas nas costas, Vagabundos do Darma, que se recusam a concordar com a afirmação generalizada de que consomem a produção e portanto precisam trabalhar pelo privilégio de consumir, por toda aquela porcaria que não queriam, como refrigeradores, aparelhos de TV, carros, pelo menos os carros novos e chiques, […] e bobagens em geral que a gente acaba vendo no lixo depois de uma semana, todos eles aprisionados em um sistema de trabalho, produção, consumo, trabalho, produção, consumo, tenho a visão de uma grande revolução de mochilas, milhares ou até milhões de jovens americanos vagando por aí com mochilas nas costas, subindo montanhas para rezar, fazendo as crianças rirem e deixando os velhos contentes, deixando meninas alegres e moças ainda mais alegres, todos esses zen-lunáticos que ficam aí escrevendo poemas que aparecem na cabeça deles sem razão nenhuma e também por serem gentis e também por atos estranhos inesperados vivem proporcionando visões de liberdade para todo mundo e todas as criaturas vivas…”
—Jack Kerouac - Vagabundos iluminados
October 2010
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“… o fato de que não havia nada ali para acalmar você com beijos e palavras gentis, mas bastava estar ali meditando pelo mundo […] – já estava bom demais ter nascido só para morrer, como todos nós.”
—Jack Kerouac - Os Vagabundos Iluminados
“[A gente] fica com essa sensação: sempre parece que você já conhece aquele lugar, há muito esquecido, como o rosto de um parente morto há muito tempo, como um sonho antigo, como o trecho de uma canção esquecida que está à deriva sobre a água, mas acima de tudo como eternidades douradas de infância passada ou de vida adulta passada…”
—Jack Kerouac - Os Vagabundos Iluminados
“… quando era criança e andava de carro costumava imaginar que possuía uma foice gigante e com ela ia cortando todas as árvores, postes e até mesmo as colinas…”
—Jack Kerouac - On the Road
“… e o coração que bateu ali há um milhão de anos e as nuvens que vão passando lá em cima parecem servir de testemunhas dessa sensação (devido à sua própria familiaridade solitária).”
—Jack Kerouac - Os Vagabundos Iluminados
“Faculdades não passam de uma escola que dá lustro à falta de identidade da classe média que habitualmente encontra sua expressão perfeita às margens do campus em fileiras de casas abastadas com gramados e um aparelho de televisão na sala e todo mundo olhando para a mesma coisa e pensando a mesma coisa ao mesmo tempo enquanto os Japhys do mundo saem à deriva no mato para ouvir a voz que grita na floresta, para achar o êxtase das estrelas, para descobrir o segredo obscuro e misterioso da origem da civilização sem rosto, que não se maravilha e vive de ressaca.”
—Os Vagabundos Iluminados - Jack Kerouac
“E que os olhos brilham ao entender, e que respostas são dadas e isso indica uma alma em toda essa bagunça de línguas e dentes, bocas, cidades de pedra, chuva, calor, frio, toda bagunça tola desde os grunhidos dos neandertais até os gemidos das sondas espaciais marcianas de cientistas inteligentes.”
—Satori em Paris - Jack Kerouac